Fabr�cio Yuri Vitorino
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05/05/2007 19:09
Buenos Aires

Seguir para Buenos Aires é sempre aquela sensação de estar indo para um lugar que fica ‘logo ali’ e pode não parecer tão divertido, se pensarmos friamente. Mas a capital do país ‘hermano’ reserva boas surpresas, que começam já no aeroporto e seguem noite adentro. Afinal, ‘transnochar’ é uma das primeiras palavras que o falante de portunhol deve aprender.

E não é exagero. O Aeroporto Pistarini-Ezeiza tem segredos que geralmente assustam o turista. Os dois mais importantes são: se não quiser perder dinheiro, fuja do quiosque da Global Exchange, que fica logo depois da polícia federal local. A cotação é sempre muito mais baixa e embute taxas. Pergunte pelo Banco de La Nación Argentina, que paga o mesmo que as melhores casas de câmbio. Uma outra surpresa fica reservada para a saída: a taxa aeroportuária de US$ 18, que deve ser paga por todos os estrangeiros. Sim, muy hermanos...

Do aeroporto para o coração portenho, você tem três opções: táxi, que custa em torno de 60 pesos (o oficial, pois os outros são risco máximo), um ônibus frescão Manuel Tienda Leon, que custa em torno de 40 pesos, ou o coletivo urbano, que custa 1,35 peso. Mas a última opção é a mais longa: demora-se algo entre duas ou três horas para chegar até o centro. Com direito a tour pelos lugares mais inóspitos e feios de Buenos Aires. Uma epopéia.

Ache seu albergue, hotel, apartamento e etc. e depois vá para a rua. Seja de noite ou de dia, opções não faltam e nem morto descansa em Buenos Aires. Se estiver no Centro, siga para a Florida ou para a Lavalle e divirta-se no comércio local e com os artistas de rua. Se estiver na Recoleta, os arredores do Cemitério têm atrações literalmente do outro mundo. Aliás, neste bairro, não deixe de conferir a feira de artesanato aos domingos, o Museu de Belas Artes e o túmulo de Evita Perón. Parece mórbido, mas é um dos locais mais visitados da charmosa cidade. Do cemitério, uma boa é a sorveteria
Freddo(ou qualquer sorveteria artesanal. Ainda mais se estiver fazendo aquele sol...)

Das ruas simpáticas da Recoleta para o Bairro Palermo é um pulo. Com disposição, dá para ir andando. Mas um passeio pelo metrô (ou Subte) é recomendável, ainda mais quando se tem a chance de viajar num trem clássico bonairense, se você tiver sorte. Em Palermo, visite o Jardim Zoológico, o Parque e o Planetário. Ali também há muitas opções mais econômicas e deliciosas para uma boa refeição. Ou um café chique, na calçada, vendo a vida passar... E a noite em Palermo também não termina: sob os arcos, várias opções fazem a noite fervilhar. É só escolher uma e se esbaldar.

Voltando ao Centro e aproveitando que a cidade é uma enorme planície, gaste as solas de seu calçado seguindo da Plaza de Mayo até a Casa Rosada. Mas não deixe de reparar a arquitetura rica e preservada dos prédios pelo caminho. Ah, e repare também na quantidade de bandeirinhas e bandeironas nacionais: os hermanos são um bocado patriotas mesmo. Exagero? Quem sabe... Falando em ‘reparar’, notou alguma coisa diferente pelas ruas? Sim, tem carros ali do tempo de Perón. E ônibus também. E se ouvir um ‘pst, pst, pst’ pelas ruas, não estranhe: é o barulho exagerado que alguns coletivos do tempo da vovó fazem. Normal.

Ali no Centro, não deixe de conhecer Puerto Madeiro. A zona portuária da cidade ganhou vida nova com restaurantes e bares fantásticos, além de uma urbanização de primeiro mundo. Visite os dois museus-barcos, ancorados por ali, e atravesse a Ponte das Mulheres, que rende ótimas fotos. Ah, e não deixe de conhecer o ‘Comedor Comunitário’. Calma, calma, é apenas uma espécie de restaurante popular... Mas se o negócio é gastar aqueles reais que estavam embaixo do colchão, entre em um dos restaurantes, peça um bom vinho e um belo prato – que pode ser carne ou massa – e curta a vista.

E não tenha pressa. A night (ou balada) portenha começa tarde. Sempre depois da 1h da manhã. Então, se ainda tiver fôlego, siga em direção à construção que imita a Ópera de Sidney – a imponente boite Opera Bay. Dá para dançar e ver o sol nascer de camarote em um dos quatro ambientes da casa, que lota nas sextas e aos sábados. Dormir? Para quê?

Hora de conhecer o canto mais charmoso e tradicional de Buenos Aires: La Boca. Berço da classe operária local, o bairro recebe uma turba de turistas, ávidos para conhecer as casinhas coloridas do Caminito, ‘sacar’ fotos com sósias de Diego Maradona e conhecer a famosa ‘La Bombonera’, o estádio do Boca Juniors, um dos clubes de futebol mais tradicionais do mundo. Realmente, lá dentro, nas arquibancadas praticamente verticais, o torcedor se sente como em uma caixa de bombons. E o clube é, literalmente, o coração do bairro (e talvez da cidade): quando o Boca marca um gol, a vibração da torcida é sentida – sim, sentida, não ouvida – a dez quadras de distância. Literalmente, a terra treme na Boca.

De volta ao Centro, hora de uma caminhada pela Avenida Corrientes e, se possível, uma paradinha no número 348, um clube imortalizado pelo tango “A media luz”, cuja letra narra os encontros amorosos entre jovens de classe alta e as mulheres da noite. Pausa para comer umas empanadas. E a caminhada segue pelo Obelisco, seguindo pela Avenida 9 de Julio, uma voltinha pelo Teatro Colon, volta, e seguimos Avenida de Mayo, até a Plazza del Congresso. Hora de pegar o metrô para uma foto curiosa (se você for carioca, é claro) na estação Rio de Janeiro.

No domingo, além da feirinha na Recoleta, é um ótimo dia para passear no bairro San Telmo, que vira uma enorme feira de antiguidades e artistas a céu aberto. São praças, galerias, mercados, ruas e muita curiosidade, como um realejo, shows de tango, performances teatrais, música, muita música e antiguidades absolutamente inacreditáveis. Pausa para mais uma empanada. Ah, não se esqueça que você está viajando: na mala não vão caber aqueles candelabros de bronze, nem aquelas porcelanas lindas. Talvez caiba uma pintura, alguns enfeites de parede e uns imãs de geladeira...

Hora de fazer as malas: infelizmente, tudo o que é bom dura pouco. Buenos Aires é uma surpresa a apenas 2h de viagem do RJ ou de SP. Diversão sem fim, futebol, gente bonita e elegante, boa comida, doces que vão te deixar babando e muita música. Faltou alguma coisa? Claro! Como ir a Buenos Aires sem comer um alfajor da Havanna sequer? E, qual o sentido de se comer apenas um, quando você pode comprar umas dez caixas? Além de a guloseima ser um presentinho que agrada a todos os amigos, ele vicia. E, se você provou um alfajor da Havanna, não tem jeito: vai voltar a Buenos Aires mais cedo ou mais tarde. É questão de tempo!
enviada por Fabricio Yuri






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